Pandemia de coronavírus afeta rede hoteleira, diminui ocupação e ocasiona demissões em PE

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Foto: Reprodução/TV Globo

A pandemia do novo coronavírus vem esvaziando os hotéis e acarretando demissões, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis em Pernambuco (ABIH-PE). Com as praias fechadas e eventos suspensos, dos 6.760 quartos e apartamentos disponíveis no Grande Recife, apenas 338 estão ocupados, o que representa 5% do total. No interior do estado, são 3%: 936 dos 31,2 mil disponíveis.

Hotéis e pousadas empregavam 21 mil pessoas em Pernambuco. Metade delas estão tendo as férias antecipadas e cerca de 4 mil, ou 20% deles, foram demitidos, segundo a associação. De acordo com o presidente da ABIH-PE, Eduardo Cavalcanti, nunca houve um movimento tão fraco.

“O impacto é muito grande, como nada visto antes, no setor de turismo e hotelaria. Muito grave, porque nós somos o primeiro a entrar e vamos seu último sair”, declarou.

Para tentar fugir da crise, alguns hotéis estão tentando criar maneiras de ocupar os apartamentos, como mudanças de público-alvo.

Em um dos hotéis da Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, das 93 habitações, só seis estão com hóspedes. O hotel tem quartos adaptados para idosos e pessoas com deficiência. As portas são maiores, para permitir a passagem de cadeiras de rodas e andadores. Isso tudo já existia, faz parte das regras de acessibilidade, mas agora o hotel está divulgando a informação como forma de atrair hóspedes.

Em outro hotel, também em Boa Viagem, foi criado um pacote especial, pensando nos profissionais de saúde. A diária é quase a metade do preço normal, por R$ 130. O hóspede tem quarto, serviços de hotel e lavanderia para três peças por dia, que são as que ele usa para trabalhar.

Segundo Maria Carolina Oliveira, diretora do hotel, mesmo com a equipe reduzida, foi possível manter o serviço de alimentação 24 horas, para atender às necessidades dos médicos e demais dos profissionais de saúde.

“A gente também incluiu no pacote a lavagem de três peças de roupas por dia. A gente pensou na calça, na camisa e no jaleco. E são roupas que não vão para lavanderia industrial, são higienizadas com todo controle de qualidade e segurança para esses profissionais”, afirmou.

O hotel também pediu a consultoria de um infectologista e mudou alguns procedimentos. Há álcool em gel nas áreas comuns e orientações por todos os lados, para que hóspedes e funcionários evitem aglomerações. Ainda assim, a procura continua baixa.

“Com certeza vai ser um prejuízo gigantesco. A gente está tentando ajudar os médicos, né? E fazendo isso com cunho social”, declarou Oliveira.