Foto de Yasuyoshi Chiba/ AFP

Apesar de o saneamento básico ser um direito de todo cidadão, nem todas as cidades têm esgoto tratado. Se o tratamento acontecesse antes de o esgoto ser jogado no meio ambiente, pessoas que dependem do que a natureza oferece sofreriam menos, como é o caso dos pescadores. Rios sujos e mar poluído deixam a pescaria cada vez mais escassa.

Obras precisam ser feitas com urgência para reduzir a poluição de praias, rios e canais, como a identificada em fevereiro na praia de Candeias, em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife.

A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) concluiu que o problema encontrado em Candeias foi provocado pela água suja que escoou dos prédios. A prefeitura de Jaboatão disse que notificou 81 condomínios para que parem de descartar esgoto na rede de escoamento de água limpa, como a da chuva.

O que aconteceu no local trouxe à tona um problema que costuma correr escondido e silencioso dentro de tubulações e que, muitas vezes, também se escancara chegando até a superfície de canais, rios, açudes, além do mar.

Enquanto isso, profissionais de colônias de pescadores como a Z-4, em Olinda, no Grande Recife, precisam lutar cada vez mais para levar pra casa o dinheiro de que precisam.

O pescador Israel de Souza vive do mar há 44 anos. Ele contou que, para as pessoas que pescam na área costeira, o impacto do esgoto despejado no mar é muito grande e que, por conta da poluição, algumas espécies de peixes não são mais encontradas.

“As pessoas tiravam muito peixe aqui da bacia do Carmo, como a tainha, o curimatã, o xaréu e outros, mas, hoje em dia, não tem, espécies estão sumindo por conta da poluição, do esgoto a céu aberto. Também envolve bolsa plástica, sargaço, essa coisa toda aqui na praia. Sempre teve, mas a gente está notando que está aumentando a poluição, está difícil”, disse Israel.