Empresários e trabalhadores do setor da construção civil sentem efeitos dos decretos de combate ao novo coronavírus em Petrolina

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Foto: Reprodução G1 Globo

Carlos Henrique Passos é sócio de uma empresa que está com três construções e tem cerca de 360 empregados, sendo 250 só em Petrolina. Com o decreto que determinou a paralisação das construções privadas, ele decidiu dar férias coletivas aos funcionários. “Até aqui essa paralisação vem sendo conduzida junto aos empregados através da utilização dos instrumentos de banco de horas, férias coletivas, férias individuais e aguardamos que no final do prazo do decreto o governador possa decidir pelo retorno das atividades da construção civil”.

O pedreiro Rosivaldo Tavares está há mais de um mês sem trabalhar e se preocupa com o pagamento das contas que continuam chegando. “Passou o carnaval e foi ficando ruim de serviço, ai chegou o novo coronavírus e atrapalhou um bocado. Está difícil e o pessoal não está ligando nem para fazer orçamento, porque nem quer que eu leve, nem quer que eu traga, então está difícil e tem que ficar dentro de casa. Uma coisa que não para é conta e de qualquer forma você tem que se manter, você tem que usar água, energia, cartão e vai só tumultuando. Esperar um dia que Deus proverá essa cura dessa pandemia e que a gente possa voltar a vida normal e trabalhar”.

De acordo com o presidente do Sindicato da Construção Civil, Mobiliária e Indústria de Petrolina, Pedro Portugal, a suspensão das obras é um problema grande pras empresas e para os funcionários. “Nesse setor da construção civil, a maioria são trabalhadores que não têm registro em carteira e hoje estão ai, paralisadas as obras particulares, obras pequenas e todo mundo quer saber uma resposta de como vai ser referente a esse ponto dessas obras particulares”

Outra preocupação do sindicato é a falta de cuidado com os trabalhadores das obras públicas ou com verbas federais, que não foram afetadas pelo decreto. Pedro diz que o sindicato enviou um ofício à prefeitura pedindo a suspensão da obra e solicitou à construtora um termo de responsabilidade. Mesmo assim, segundo ele, nenhuma mudança foi feita.

“São bastantes trabalhadores, inclusive essa obra tem mais de 200 trabalhadores e não está tendo controle quanto a isso. Não está tendo uma resposta, não está vindo a vigilância sanitária para dar um treinamento para estes trabalhadores, não está tendo álcool em gel, não tem luva, essa é a situação. Isso preocupa muito porque além de trabalhar no canteiro, eles retornam para casa deles. Isso é um problema sério que vai levar para a família, pros filhos e ai fica essa tensão”.

O Secretário Executivo de Habitação, Thúlio Teobaldo, garante que depois de comunicada sobre o problema, a empresa responsável pela obra tomou as providências necessárias. “A gente já tinha ciência dessa reclamação do sindicato, por conta dos trabalhadores. Foi encaminhado para o pessoal da fiscalização de obras local, em seguida a empresa adotou as medidas como a higienização do espaço comum, ela flexibilizou a assinatura do ponto, alimentação está sendo em quentinhas, para que ele possa se alimentar isoladamente e também a obra respeita o limite de um ou dois metros de espaço entre um funcionário e outro”.